• Exposição Racismo no Turismo – Ana Carolina Pedra Rosa.

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Essa exposição é vinculada ao Trabalho de Conclusão de Curso intitulado

Existe racismo no turismo? Uma análise de turistas do Brasil vítimas de racismo, de Ana Carolina Pedra Rosa. O TCC foi defendido no Bacharelado em Turismo no dia 1 de julho de 2021, na Universidade Federal de Pelotas.

A proposta aqui é apresentar relatos coletados durante a pesquisa que mostram diferentes formas de racismo ocorridos durante viagens e como estes atos interferem na decisão de viajar.

No turismo, muitas pessoas negras acabam desistindo de fazer viagens por medo de sofrer racismo durante a viagem. O racismo é uma consequência da época da escravidão que resiste até os dias atuais. A sociedade construiu estereótipos sobre as pessoas negras/os, como pessoas que não são confiáveis, incapazes de exercer cargos de alto escalão, entre tantos outros, que interferem diretamente nas possibilidades de as pessoas negras conseguirem empregos, ingressarem e permanecerem em universidades, exercerem seus direitos à cidade, à saúde, ao lazer, entre tantos outros.  

O racismo estrutural é um processo histórico e é perpetuado a partir da desvalorização e restrição de acesso a lugares e oportunidades às pessoas negras. Por estar enraizado, ele nem sempre ocorre de maneira direta, também possui um processo institucionalizado que organiza as relações no Brasil. Os relatos a seguir irão mostrar a realidade do racismo estrutural na área do turismo e como ele interfere nas viagens das pessoas negras.

Evidencia-se aqui a normalização de pessoas negras serem confundidas com serviçais de pessoas brancas. Outro aspecto importante deste relato é que o medo de passar por uma situação de violência pode impedir as pessoas negras de viajarem, em especial para alguns destinos específicos. Será então que o direito ao lazer, consequentemente ao turismo, é igual para todas as pessoas?

Normalmente, as pessoas negras são relacionadas a uma classe social mais vulnerável e a não terem condições de, por exemplo, viajar. É como se a pessoa negra não tivesse direito ao turismo ou condições de fazê-lo.

Também se percebe que, automaticamente, as pessoas relacionaram aspectos da cultura negra com as religiões de matrizes africanas. É o racismo religioso que desvaloriza estas religiões de matrizes africanas. Além de raça e classe estarem vinculadas quando pensamos no racismo, outro marcador da diferença que deve ser observado é a religião.

O cabelo é outra constante nos relatos relacionados ao racismo, aliás, desde a infância. O turbante para as senhoras brancas é compreendido como uma tentativa de esconder o cabelo e não como uma forma de ressaltar a cultura e ascendência africana.

Estas situações são naturalizadas para as pessoas brancas que não reconhecerem seus privilégios ou como o racismo estrutural é reproduzido e reforçado, cotidianamente, nas mais diferentes situações.

Esta naturalização da articulação entre raça e classe, com o reforço dos estereótipos, evidencia o racismo estrutural, e reforça as atitudes racistas que impossibilitam que as pessoas negras exerçam outros cargos. Assim, o racismo estrutural favorece a reprodução de atos e políticas que mantém as pessoas negras em cargos considerados inferiores, subordinados às pessoas brancas, com salários inferiores.

Outro relato que aponta para esse estereótipo da pessoa negra como serviçal da pessoa branca, sempre prestando serviço a ela.

Será que estes casos são comuns? Sim, muito mais do que se imagina. Seguem outros casos divulgados em notícias, que evidenciam o racismo estrutural no turismo no Brasil.

A luta antirracista é diária, ela é continua. E vai ser graças a ela que algum dia vamos alterar essa realidade. Vai ser graças a ela que as pessoas negras vão ter a liberdade de ir a qualquer lugar sem serem discriminadas, sem serem revistadas pela polícia. Vamos ver cada vez mais pessoas negras ocupando cargos influentes, com maior acesso e permanência às escolas e universidades. Para tanto, é importante as pessoas brancas fazerem o seu papel, conhecerem o seu lugar de fala, aceitarem que o racismo existe, olharem criticamente para os seus privilégios e praticarem o antirracismo. É a partir dessa consciência e da luta antirracista que o Brasil vai se tornar um país mais igualitário para nós pessoas negras.

Este trabalho foi minha forma de contribuir para esta mudança! E você, o que está fazendo pela luta antirracista?

Ficha técnica

Coordenação de curadoria: Profa. Louise Prado Alfonso.

Curadoria: Ana Carolina Pedra Rosa

Identidade visual: Ana Carolina Pedra Rosa

Imagens: Domínio Público

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