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PASSO DOS NEGROS

O Passo dos Negros é uma comunidade localizada às margens do canal São Gonçalo, próxima ao shopping. Aquela região abrigou o primeiro porto da cidade de Pelotas, sendo local de entrada de pessoas escravizados/as e mercadorias na região, o que sugere o nome “Passo dos Negros”. Por ali também passa o caminho das tropas e localizavam-se várias charqueadas. Neste corredor está a antiga Ponte dos Dois Arcos, construída em 1854, por mão de obra escravizada. 

Tempos depois, a região deu lugar a um dos maiores engenhos de arroz da América Latina (Engenho Coronel Pedro Osório) que funcionou até a década de 1990. Mesmo sem atividades, o engenho é um elemento importante na paisagem local. A paisagem também é formada por figueiras centenárias, pelo canal, leitarias, antiga peixaria, o Osório Futebol Clube, entre tantas outras coisas.

Hoje em dia, é uma área que está sofrendo especulação imobiliária com riscos dos/as moradores/as serem removidos/as para a construção de condomínios de luxo.

O Passo dos Negros é uma região que conta uma importante narrativa sobre a construção da cidade de Pelotas, contos mitológicos, histórias de famílias que trabalham e moram há décadas na região, filhos e filhas, netos e netas de trabalhadores/as  que nasceram e cresceram ali, estabeleceram suas vidas, constroem a paisagem e mantêm viva parte da história de Pelotas.

Queremos te apresentar alguns patrimônios da região, e a partir deles, contar histórias tão importantes, mas que são pouco valorizadas na cidade de Pelotas.

CORREDOR DAS TROPAS Ligando o Porto à cidade e às charqueadas, o Corredor das Tropas era o local de passagem do gado tocado pelos tropeiros para comercialização. Atualmente, o Corredor das Tropas se perdeu dentre as construções e o asfalto, mas no Passo dos Negros é possível encontrar uma parte importante deste caminho, conservado pelos moradores que lutam por sua manutenção, pois o consideram parte de suas casas. Neste corredor está a Ponte dos Dois Arcos.

PONTE DOS DOIS ARCOS

A Ponte dos Dois Arcos foi construída por mão de obra escravizada no ano de 1854, seu objetivo era o transporte do gado comercializado que passava pelo Corredor das Tropas ao Passo dos Negros, seguindo para as charqueadas. Hoje em dia sua estrutura ainda encontra-se no local, sendo protegida por moradores/as contra os avanços da especulação imobiliária.

FIGUEIRAS

As figueiras centenárias do Passo dos Negros são importantes marcos na paisagem para a comunidade. Para guiar pessoas que não conhecem o local, citam as figueiras como pontos referência, por exemplo: naquela figueira, vire à direita! São espaços de lazer, fazendo sombra para rodas de chimarrão, sediam casamentos, etc. Moradores/as contam a história da noiva, que teria se enforcado em uma das figueiras, causando medo a quem passa por ali a noite. Para outros, elas têm grande importância nas atividades religiosas de matrizes africanas, onde depositam oferendas aos/às Orixás.

LEITARIA

No Passo dos Negros funcionou entre o período de 1949 a 1973 uma leitaria, localizada às margens do canal São Gonçalo. Nessas terras, mais antigamente, havia uma charqueada. Esta leitaria nos ensina muito sobre as diferentes gerações e ocupações do Passo dos Negros.

Conversando com familiares de Sezenando, que foi o dono da leitaria,  foi possível descobrir quem morava e como era o trabalho ali. Tinha uma casa de moradia e um galpão de trabalho. O leite ordenhado era armazenado em latas e colocado em grandes jarros para ser distribuído. Embora muita coisa não exista mais, na propriedade ainda existem estruturas remanescente no tempo da charqueada, como a base de uma chaminé e tanques de salga.

ENGENHO

À beira do Canal São Gonçalo está um dos mais importantes marcos da região, o Engenho Pedro Osório, se pode ver o engenho e sua chaminé do shopping, da estrada do laranjal, de bem longe! Foi um dos maiores engenhos de arroz da América Latina, durante o ciclo do arroz. Como produzia muito, o Engenho foi responsável por trazer centenas de moradores/as para a região, na época as chamadas vilas operárias se formaram no entorno do engenho. Até hoje é possível encontrar algumas casinhas ou ruínas de outras. Na frente do engenho foi construída uma escolinha, chamada Visconde de Mauá, para as crianças filhas dos/as trabalhadores/as do engenho. Não eram só homens que trabalhavam para o engenho, muitas mulheres costuravam os sacos para o arroz em suas casas, e faziam outros trabalhos para o engenho. Muitas pessoas ali contam histórias bem interessantes desta época.

OSÓRIO

Além do engenho, das vilas e da escola, também fazia parte do “Complexo do engenho” um Clube de Futebol, muito importante para a região: o Osório Futebol Clube! Contam os/as moradores/as que, na época, o Coronel Pedro Osório cedeu um pedaço de suas terras para funcionários/as do engenho fundarem o time. Hoje o clube tem muitos projetos sociais, ajuda as famílias locais e promove aulas e atividades extras para as crianças.

Com um grande campo de futebol e uma sede, quase todos os finais de semana o Clube promove jogos, almoços e festas. Seu mascote é o Neguinho do Engenho,  um menino travesso que virava as viandas dos/as trabalhadores/as deixadas para aquecer no secador de arroz e assustava o pessoal que trabalhava a noite.

OSÓRIO

Além do engenho, das vilas e da escola, também fazia parte do “Complexo do engenho” um Clube de Futebol, muito importante para a região: o Osório Futebol Clube! Contam os/as moradores/as que, na época, o Coronel Pedro Osório cedeu um pedaço de suas terras para funcionários/as do engenho fundarem o time. Hoje o clube tem muitos projetos sociais, ajuda as famílias locais e promove aulas e atividades extras para as crianças.

Com um grande campo de futebol e uma sede, quase todos os finais de semana o Clube promove jogos, almoços e festas. Seu mascote é o Neguinho do Engenho,  um menino travesso que virava as viandas dos/as trabalhadores/as deixadas para aquecer no secador de arroz e assustava o pessoal que trabalhava a noite.

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Paulo Wieth

julho 7, 2020 às 11:23 am.

Muito interessante essa apresentação pois muitos não conhecem a história de Pelotas. Narrativas negras sofreram apagamentos impostos pela minoria branca q prefere contar as histórias de seus antepassados,que muitas vezes são negros.

    museuhistorico

    julho 7, 2020 às 11:53 am.

    Muito Obrigada Paulo, a BPP tem compromisso de divulgar a história e as memórias de toda a comunidade pelotense. Continue acompanhando as nossas postagens.

Olga Maria Dias Ferreira

julho 7, 2020 às 2:40 pm.

Valeu o esforço! Belíssimo trabalho a revelar e manter viva a história de Pelotas.

    MHBPP

    julho 7, 2020 às 10:43 pm.

    Obrigada, continue acompanhando nossas postagens, siga nossa Página no insta e no face @BPPelotense.

Márcia Monks Jantzen

julho 7, 2020 às 3:19 pm.

Parabenizo a equipe pelo brilhante trabalho! Nossas memórias precisam ser preservadas. Muito dessa história fiquei conhecendo através deste trabalho. Nosso presente é o resultado de nosso passado e tudo fica mais interessante quando as peças desse quebra-cabeças se encaixam!

    MHBPP

    julho 7, 2020 às 10:41 pm.

    Obrigada, continue acompanhando nossas postagens, siga nossa Página no insta e no face @BPPelotense.

maria heloisa martins da rosa

agosto 18, 2020 às 5:23 pm.

Gostei muito! Existe mobilizações para manter o local e incentivar, ajudar movimentos já existentes no local? A memória destas pessoas sobre e no local devem ser respeitadas. Outras formas de habitar e viver tem que ser valorizadas.