• Exposição Virtual: Cartografias do Cotidiano de Pelotas, diversidade não se Esconde!

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A exposição “Cartografias do Cotidiano de Pelotas, diversidade não se esconde” vem mostrar cartografias diferentes das que geralmente vemos. Os nossos mapas não são aqueles que vemos na escola! Os mapas que apresentaremos trazem as vivências de diversos grupos que habitam Pelotas, como das trabalhadoras sexuais, das comunidades de religiões de matrizes africanas e das pessoas que moram no Passo dos Negros. Mostram suas visões de mundo, narrativas, seus trajetos pela cidade e lugares que são importantes para cada grupo. Contam uma outra história, que não aquela da época do charque, mas de travestis, pessoas negras, da periferia e trabalhadores e trabalhadoras, que foram e são importantes na formação da cidade. Estas cartografias podem ser em desenhos, vídeos, ilustrações, fotografias, colagens e relatos. Venha cartografar conosco!

Video Evocando Paisagens

Algumas mulheres carregam dentro de si o dom de produzir cartografias ao contar histórias que estão presentes em suas memórias. A Mestra Griô Sirley Amaro, mulher negra nascida em Pelotas, possui este importante saber. Ao caminhar pelas ruas Major Cícero e Doutor Cassiano, entre as ruas Andrade Neves e 15 de novembro, em Pelotas, ela observa a paisagem e lembra-se de coisas e pessoas que já não existem mais, mas que não devem ser esquecidas. Ela conta as histórias de diferentes grupos invisibilizados na narrativa oficial da cidade. A paisagem das ruas, vivenciadas por Dona Sirley em sua infância, traz à tona não só as memórias de seus pais, moradores da rua Major Cícero, mas também das trabalhadoras sexuais que moravam nessa rua. A Major Cícero, assim como a Doutor Cassiano, são ruas importantes para os mais diversos grupos, que carregam consigo diferentes histórias e que são transmitidas pela Mestra Griô. Conheça a sua cartografia! Como seria uma Cartografia da tua rua?

Cartografia em Desenho das trabalhadoras sexuais

As trabalhadoras sexuais também constroem a cidade de Pelotas. Seus trajetos feitos no dia a dia nos levam até os seus caminhos percorridos no passado e nos fazem pensar no futuro. No século XIX, a praça Coronel Pedro Osório começou a ser embelezada para os passeios das elites da cidade, excluindo pessoas consideradas indesejáveis pelo poder, como as prostitutas. De fato, Pelotas segue contando a história da elite a partir da Fonte das Nereidas. Mas, este é um local de importância fundamental para as travestis que executam o trabalho sexual nas ruas de Pelotas à noite. É onde elas se batizam com seu nome de guerra, mostrando que o chafariz é o seu palco. O passado, o presente e o futuro estão conectados e o chafariz nos conta as histórias dessas trabalhadoras. Os traçados representam os caminhos das prostitutas, suas permanências e resistências cotidianas. Nesta cartografia aparecem as suas lutas: contra a transfobia, pela regulamentação da prostituição, para que tenham direitos trabalhistas garantidos e pelo direito de permanecer trabalhando no centro da cidade.

Cartografia Passo dos Negros

A localidade do Passo dos Negros foi e é fundamental para a história da cidade de Pelotas. Desde o século XVIII até hoje, as pessoas que vivem lá constroem o lugar a partir de suas próprias experiências que não costumam aparecer nos livros de história. Diferente da cartografia tradicional, aqui elaboramos uma sobreposição de mapas: em rosa aparece o mapa “oficial” de Pelotas, e em amarelo o Passo dos Negros que tem gente, tem história, tem vida. As combinações de texto e imagem trazem as narrativas dos moradores, mostrando uma cidade que acontece no cotidiano. Nosso objetivo com esta cartografia é evidenciar como as lembranças do passado, as práticas do presente e as projeções para o futuro conectam todos que existem, resistem, e que deixam suas marcas no Passo. O direito de habitar a cidade torna-se, então,  reivindicação principal de quem constrói esses lugares como seus. Como seria uma Cartografia do teu bairro?

Vídeo Paulo- Terra de Santo

A cartografia do Paulo de Xangô (FREITAS, 2019) mostra os trajetos que um terreiro faz pela cidade na organização de um ritual percorrendo diferentes  bairros para a compra de artigos diversos. No centro de Pelotas, por exemplo, está a maioria das lojas que vendem produtos religiosos, por isso muitos terreiros passam por alí. Este ritual envolve também um passeio por lugares considerados sagrados, como o Mercado Central, igrejas e a praia. Imagine só, em Pelotas existem mais de mil terreiros, se fossemos colocar todos os trajetos desses terreiros neste mapa, ele seria inteiro colorido. Estas cores e trajetos nos mostrariam uma cidade inteira sagrada para estas religiões. Essa cartografia mostra o quanto a cidade é importante para as religiões de matrizes africanas. Como são seus trajetos na cidade? Por onde caminhas?

Papel social dos museus 

Os museus não são apenas espaços de memória. Eles são, sobretudo, agentes de transformação social,  promovem a interação e estimulam o diálogo com as comunidades, valorizando os mais diversos grupos que habitam a cidade. Entendemos que eles podem (e devem) divulgar as narrativas de grupos que foram invisibilizados na história, para agir no combate às desigualdades sociais e na luta por uma sociedade mais justa e igualitária. Isso é feito através de sons,  cores, luzes, desenhos, imagens, colagens. Hoje temos novos museus, que não refletem mais as vaidades de um único público, mas que buscam valorizar a diversidade. Os museus continuam se reinventando, mesmo durante a Pandemia, com visitações virtuais, e propostas de Exposições como essa, nas redes sociais. Museus são importantes e nos conectam com outras histórias, outros saberes e fazeres e nos mostram que são essenciais! Pra ti qual a função de um Museu?

Convite para cartografar

Tu já conhecia essas histórias? O que achou destas cartografias? Nessa exposição vimos que existem diferentes formas de viver a cidade e também outras tantas maneiras de contar essas histórias por desenhos, vídeos, colagens. Gostaríamos de saber sobre as tuas vivências, teus caminhos e os teus mapas. Desenhe, fotografe, faça colagens, grave um vídeo e compartilhe nas redes sociais, com uma pequena frase ou texto sobre essas histórias. Não se esqueça de marcar o @geeurbano_ e a Bibliotheca Pública Pelotense (@bppelotense) Venha cartografar conosco!

explicando o Margens

Esta exposição foi organizada pelo Projeto de Pesquisa Margens: Grupos em processos de exclusão e suas formas de habitar Pelotas, que engloba os projetos de extensão: Mapeando a Noite: O Universo Travesti, Narrativas do Passo dos Negros: exercício de etnografia coletiva para antropólogos/as em formação e Terra de Santo: patrimonialização de terreiro em Pelotas. Todos desenvolvidos no Grupo de Estudos Etnográficos Urbanos -GEEUR/UFPel.

Ficha técnica

Coordenação: Louise Prado Alfonso.

Curadoria: Felipe Aurélio Euzébio, Janaina Vergas Rangel, Joanna Munhoz Sevaio, Louise Prado Alfonso, Luiz Augusto Fonseca Duarte Junior, Marcela dos Santos Dode, Martha Rodrigues Ferreira, Newan Acacio Oliveira de Souza,  Vanessa Avila Costa.

Identidade visual: Beatriz Souza da Silva, Felipe Aurélio Euzébio, Martha Rodrigues Ferreira.

Imagens: Acervo GEEUR

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